Ontem voltei a falar de cancro.
Voltei a ter consulta de genética com a minha família.
Desde esta última vez, já lá tinha voltado para receber a notícia de que não tinha apenas a mutação no BRCA1, mas mais 3, três gente! [estou rica carago] que são: ATM (mama), BRIP1 (ovário) e MUTYH.
Achávamos que viria tudo do lado do meu pai, até porque na família materna não há nenhum caso de doença. Pois, que achávamos mal e herdei o BRCA1 do meu pai e as restantes 3 da minha mãe.
Estão a ver uma mistura explosiva?
Sou eu!
Se calhar devia jogar no totoloto. Se acertasse em 4 números era bem bom!
Ou seja, descobrimos que a minha mãe também tem 80% de hipóteses de vir a ter cancro (uma vez que já passou os 40 anos) e acho que nem ela atingiu "a coisa". Acho que foi um choque tão grande que chegou ao fim da consulta e não tinha ouvido metade do que a médica disse. Tivemos de lhe fazer um resumo. Ou seja, tal como eu, também ela tem de ponderar uma mastectomia bilateral profilática (trocando por miúdos: por prevenção).
Imagino que para uma pessoa não doente seja muito difícil decidir entrar em cirurgias de remoção...
As duas primas do meu pai saíram ilesas dos testes, ao passo que a minha irmã teve a sorte [será que posso chamar sorte?] de ficar apenas com o BRCA1.
Passei o dia fora de casa. Ao final da tarde quando cheguei ao ginásio até a planta dos pés me doía. Foi um dia de exaustão, mas precisava aliviar a cabeça.
Dei duas de tretas com o pessoal do ginásio, fizeram-me largar umas gargalhadas.
Cheguei a casa e ainda tinha de fazer um mail para a família materna, a explicar a situação.
Abri um vinho e escrevi. Tudo tão difícil de explicar!
Deitei-me e adormeci instantaneamente por causa do vinho.
Eram 3h e estava acordada. Insónias, essas p*tas minhas amigas.
Literalmente isto.

















