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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Marrocos [parte 7]

(e como mais vale tarde que nunca...)
ver Dia 4

Dia 5

Ainda era dia quando chegamos a Fez. 
Saímos da estação e apanhamos dois petit táxis (em Fez o taxímetro já é uma coisa normal, então para pequenas distâncias compensa) para o ponto de encontro combinado com o anfitrião do Dar El Ouedghiri, o Adil. Pela primeira vez vi o Marrocos que eu imaginava. Pela primeira vez as crianças se dirigiram prontamente a nós para nos pedir dinheiro em troca de qualquer coisa que traziam.
Olhei em volta e vi o assédio ao turista de que tanto se fala.
Rapidamente o Adil chegou e com ele fomos a caminhar, em direção à Medina, onde dormiríamos nas seguintes três noites.
Uma das portas da Medina de Fez
Enquanto percorríamos os caminhos apertados ele ia-nos dizendo: "Isto é um atalho, sem mim, não venham por aqui. Vou ensinar-vos os caminhos que devem tomar".
Isto ouvido assim, mal se chega a um lugar, faz-nos pensar se poderá haver algum perigo.
Asseguro-vos que não, mas sempre com precaução.
Chegamos ao hotel, tiramos as primeiras fotos da praxe e pedimos indicações de um local para jantar. Ele abriu-nos um mapa e disse-nos por onde deveríamos andar nessa noite e que nos dia seguinte ao pequeno almoço nos explicava o que ver. Achamos estranho, mas concordamos.

Saímos do Riad e percorremos as ruas escuras, tal e qual o Adil nos tinha dito. Percebemos que era realmente muito fácil enganar e não arriscamos novos caminhos. Deixamos isso para o dia seguinte. Chegamos à parte da Medina onde estavam os restaurantes. Andamos para trás e para a frente, literalmente, à procura do Chez Said. Estava mesmo à nossa frente, mas com tanta gente, tantos vendedores, tantas tabuletas de publicidade a restaurantes, tantos empregados a vir falar connosco, a busca tornou-se mais difícil. Dissemos que vínhamos da parte do Adil e tenho a certeza que fomos mais bem tratados por isso. Sentamo-nos mesmo na primeira linha de mesas, na rua, podendo apreciar o correr de pessoas, locais e turistas, entre passeios e trocas comerciais. Esta, até à data, era a maior Medina onde tínhamos estado. O jantar foi agradável, a comida era boa, os empregados muito simpáticos. Estávamos cansados e pouco depois de comer abandonamos a guerra e dirigimo-nos para o Dar. Queríamos tomar banho e descansar. O dia seguinte ia ser passado na Medina, a visitar os pontos que o Adil nos ia assinalar no mapa.

Zaouia Moulay Idriss II
Acordamos na manhã seguinte na esperança de tomar o pequeno almoço no terraço do Dar. Rapidamente percebemos pela cara do Adil que estava mau tempo, as previsões que tinhamos visto na noite anterior estavam certas. Estava nublado e tinha começado a chuviscar. Eu só pensava que não tinha nada suficientemente impermeável, para andar um dia inteiro à chuva.
Saimos pela Medina e automaticamente tivemos uma ideia bem diferente da da noite anterior. Havia cores, barulho, gente, alegria. Perdemo-nos um pouco pelas ruas, mas fomos conseguindo seguir o mapa e ver, primeiramente, o Museu da Madeira, depois a Zaouia Moulay Idriss II (onde não muçulmanos não podem entrar... então vimos só da porta - é onde está a tumba do Rei Idriss II) e depois seguimos para as tão famosas fábricas de curtumes. Tínhamos indicação que a melhor para visitar seria a n.º 10, pela vista privilegiada em relação às restantes. Por isto estar escrito nos guias, as outras casas de curtumes tentam enganar os turistas, escrevendo o n.º 10 em todo o lado - ahahah - atenção ao número por cima da porta, é esse que vale! Entramos no n.º 10 e foi-nos logo atribuído um guia e um ramo de hortelã a cada um. Assim que passamos para o lado dos tanques de tinta percebemos o porquê da hortelã. O cheiro é realmente mau. Em vez de amoníaco (não são utilizados químicos) as peles são limpas com cocó de pombo... imaginem (tanques brancos). Além disso, as próprias peles tem o cheiro que todos já sabemos... Não usei a minha hortelã no nariz, pois achei o cheiro completamente suportável, mas era ver os asiáticos todos com as folhas debaixo do nariz, como se fosse caso de vida ou morte.
Explicaram-nos que famílias inteiras trabalham naqueles tanques e que é muito difícil alguém que não pertence às mesmas conseguir trabalhar lá. Uma espécie de lobby.
É realmente um sítio a visitar. Depois de vermos e ouvirmos a história toda, lá tivemos que visitar a parte da loja, mas nenhum de nós comprou nada. Limitamo-nos a dar uma gorjeta ao guia, como havíamos lido nos guias.





Almoçamos algures pela Medina (Fassie Delice), um restaurante escolhido ao calhas, apenas pela pinta e número de locais que tinha. Sempre a nossa tática para escolher os sítios onde ir. A comida era boa, especialmente a pastilha de frango. Começamos a perceber que os preços das refeições também começavam a subir à medida que chegávamos a cidades maiores.



Depois de almoço ainda tentamos ir à biblioteca da universidade, que lemos que era bonita, mas quando lá chegamos não tinha entrada aberta a não estudantes. Nada feito.
A tarde foi passada na Medina, meios perdidos, a ver o que por lá se vendia. Tivesse eu como transportar mais coisas e tinha trazido candeeiros, malas, tapetes...




Nesta altura já eu estava toda encharcada e com a neura. Detesto chuva, principalmente de férias. Voltamos ao Dar para trocar de roupa e pedir uma sugestão de onde  jantar ao Adil (lemos que havia restaurantes com vinho e nós já estávamos a ressacar...) Assim foi. Ele ligou para o restaurante e alguém nos veio buscar (a pé claro) e nos viria trazer no final. Achamos a esmola demais e provavelmente isso verificou-se no preço do jantar.

Chegamos ao restaurante e realmente nada tinha a ver com os sítios onde tínhamos comido até então, o que não quer dizer que tenha sido melhor. Era decorado de forma mais ocidental e as pessoas a frequentar também eram diferentes. As mesas tinham luzes azuis... Vimos logo que íamos pagar os olhos da cara, mas também era só um dia. Para piorar, o serviço foi péssimo, super demorado e a comida não era melhor que nas outras "tascas". Meu conselho: não valeu a pena (apenas pelo vinho).


Regressamos ao Dar com a ideia de que tínhamos sido roubados.
Dormimos sobre o assunto depois de preparar o dia seguinte. Tínhamos como destino Meknés, uma das 4 cidades imperiais de Marrocos (juntamente com Marraquexe, Fez e Rabat).



ver Dia 4
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Dar El Ouedghiri - 22€ por pessoa
Jantar Chez Said - 65dh (+- 6€)
Museu da Madeira: 20dh (+- 2€)
Almoço Fassie Delice: 78dh (+-8€)
Jantar Dar Tajine: 214dh (+-20€)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Uma semana (e pouco) na minha vida corrida

Sábado 26
Brunch com a Ana no Zénith Lisboa
Jantar com amigas
Ir para casa e voltar a sair para ir ter com outros amigos
Beber mais um copo no cais
Estar na fila do Lux, meia hora, e desistir porque já eram 5h da manhã...



Domingo 27
Brunch na padaria portuguesa
Esplanada na Avenida da Liberdade para uma cerveja
Um gelado em Santos na Davvero
Vir a casa trocar de roupa e jantar sushi
Ir a uma festa no mercado da ribeira
Chegar ao Lux às 00:15h e já não me deixarem entrar porque fechava à 1h...

Segunda 28
Manhã em Cascais a trabalho
Almoço no Ikea e aproveitar para comprar umas coisas que precisava
Tarde normal de trabalho.

Terça 29
Trabalho
Ginásio
Comer marmita no bar
Ir à feira do livro e dormir na casa da sócia, porque de manhã tínhamos reunião lá perto.



Quarta 30
8:30 na Penha de França para ver um projeto novo
Trabalhar até às 20h
Ir ao Alegro fazer comandos da garagem
Ir ao Colombo porque no Alegro não deu. Jantar lá
Trabalhar, fazer a mala e deitar às 3h 



Quinta 31
Apanhar o comboio das 9:30, chegar ao Porto para o almoço
Preparar a reunião da tarde (feriado), que só acabou às 19h
Jantar com a minha amiga Inês



Sexta 1
Acordar e ir comer umas panquecas. Aqui. Aprovado!
Apanhar o autocarro das 12:30 
Chegar a Lisboa e ir a casa buscar a mochila do ginásio
Treinar. Tomar banho e correr para um jantar.
Sair para beber uns copos.




Sábado 2
Dormir de manhã
Ir ao supermercado depois de almoço
Fazer vida de dona de casa onde se incluiu arrumar, lavar roupa, estender...

Domingo 3
Acordar e fazer a depilação. 
Ir correr 5km a Belém.
Trabalhar toda a tarde.




As minha semana devia ter mais dias, ou o meus dias mais horas.
Desconfio é que arranjava mais coisas para encaixar nesses tempos e era tudo igual.
Não sei se é por estarmos a chegar ao verão, mas de repente há convites para tudo e mais alguma coisa... E os santos estão a chegar!!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O meu médico é melhor que o teu

Meu e-mail:

Olá Dr.! Como está?
Há muito tempo que não o chateava...
Há uns dias estava a tomar banho no ginásio e tive um momento de clarividência. Porque é que hei-de esperar pelo fim do tamoxifeno para seguir para a cirurgia? Estou a perder tempo. Ou seja, se não vir nenhum inconveniente, quero "alistar-me" já para fazer isso. Tratamos disso na consulta de agosto? Ou pode ser antes?

Mudando de assunto, Marrocos foi das melhores experiências que tive até hoje. Subi os 4167m do Toubkal e sobrevivvi, mas foi a coisa mais difícil que fiz na vida... 

Beijinhos!
Spoiled

Resposta do médico:

Olá Luísa
4167 metros ?!

Beijinhos




O que interessa são os metros, o resto do e-mail não interessa nada ahahahha!

Marrocos [parte 6]

Queria só gabar-me do meu cabelo.
Obrigada.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Marrocos [parte 5]


Dia 4



Chegamos a Rabat e já estava a anoitecer. Voltamos ao Riad para arrumarmos as mochilas no quarto e pedirmos dicas para jantar fora. A menina parecia não nos saber aconselhar muito bem, mas ainda assim seguimos o seu conselho. Infelizmente, fomos enviados para um restaurante "para turista", coisa que tentamos evitar a viagem toda. Mal nos sentamos já nos estavam a impingir uma espécie de menú para turista. O que eles não sabem é que os portugueses também não se deixam levar e falamos de forma mais bruta para comermos o que queríamos e não o que eles queriam. Basicamente, os empregados andavam a dar show a servir a comida e o chá, vestidos com uma vestimenta marroco-carnavalesca... Enfim. Havia zero locais a comer lá.
Resumo: não gostamos e viemos embora o mais rápido possível.
(Só por curiosidade o sítio era este e pagamos cerca de 5€ por pessoa).




Feita a escala de banhos (caramba que uma i.s. para 5 dá muito trabalho), calhou-me ser a penúltima a tomar banho. Antes de ir já sabia que a água estava gelada. Só pensei "este Riad, mais caro que os outros, não está a valer mais do que os outros..."

Acordamos, os banhos estavam tomados da noite anterior, e descemos para o pequeno almoço, aquele que tinha sido oferecido. E que bela surpresa tivemos! Além das duas variedades de panquecas marroquinas e do habitual sumo de laranja ainda tivemos direito a fruta, morangos e banana. Muito mais agradados e de barriga cheia saímos para conhecer Rabat.


 A vida laboral em Marrocos começa tarde. Às 10h da manhã ainda a maior parte das lojas estão fechadas, talvez porque ficam abertas até mais tarde no dia anterior. Fomos caminhando pela Medina, entramos no mercado e deliciamo-nos com os produtos expostos nas bancas: frutas e legumes, azeitonas, bolos, carne e peixe! Ah peixe, que há tantos dias que não comíamos... Paramos numa banca de peixe a apreciar e a debitar os nomes dos peixes lá estendidos, não fossemos nós todos de terras de mar. O dono da banca aborda-nos. Um senhor nos seus 60 anos, com um francês fluente, grande e gordo. Disse-nos que podíamos comprar-lhe um peixe para o almoço, que nos arranjava maneira de alguém nos cozinhar. Adoramos a ideia e ficamos com aquilo na cabeça.




 Seguimos a caminho rumo à Kasbah des Oudayas, caminhando tranquilamente pelas ruas da Medina (em obras). Esta foi das Medinas que eu mais gostei. Muito mais limpa, ainda que com obras, muito tranquila e a desembocar num descampado, na costa, com areal por baixo e uma cemitério gigante (que eu não vi na altura, mas entretanto a minha irmã avisou e percebi onde estava nas fotos).
Foi em Rabat que comprei o meu primeiro par de brincos e abri, claramente, um precedente.






Era quase meio dia e voltávamos ao mercado, a pensar numa dourada grelhada. Dirigimo-nos ao senhor que amavelmente nos atendeu e fez com que comprássemos uma grande dourada de 3,5kg (eu nunca tinha visto uma assim!) que foi arranjada na hora pelo seu empregado, a quem demos uma pequena gorjeta 5dirham (0.5€), com indicação do patrão. Pagamos cerca de 520dirham pelo peixe, sensivelmente 50€. Seguimos com ele e com a dourada até a um dos restaurantes existentes no mercado e acordamos com o sr. do restaurante o que queríamos a acompanhar e o valor a pagar pelo serviço. Escusado será dizer que nos serviram imensamente bem e que valeu muito a pena gastar um pouco mais que o habitual.




 Depois da barrigada do almoço fomos visitar a Torre Hassan e o Mausoléu de Mohammed V. 
A torre pretendia ser um enorme minarete, pertencente à Mesquita Hassan. A sua construção nunca foi terminada (reparem no topo da torre). 




À hora que chegamos, deviam ser umas 16h, o Mausoléu estava a fechar. A ir, tentem ir da parte da manhã. 
A hora que se seguiu foi um verdadeiro turbilhão. 
Na verdade gostamos tanto de Rabat que nos deliciamos no passeio e quando nos demos conta estava a ficar tarde para ainda ir à estação dos comboios, escolher o horário do comboio, voltar a descer até à Medina, pegar nas mochilas que tinham ficado no Riad e subir de novo a avenida toda até à estação, ainda com tempo para comprar os bilhetes (as filas eram sempre enormes).
As duas que se despacharam mais cedo do xixi e da mochila seguiram para a estação para comprar os bilhetes, enquanto os outros 3 (eu incluída) acabavam de se preparar.
Por momentos não tive fé e achei que íamos mesmo perder o comboio que queríamos. O objetivo era chegar a tempo de jantar em Fez. Literalmente voamos até à estação, a subir com as mochilas pesadas, mas nem pensávamos nisso, só queríamos chegar a tempo.
Chegamos! Não por muito, mas chegamos. Suados como animais, mas não interessava...

Três horas depois chegávamos a Fez. 


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Comboio Rabat - Fez: 85dh por pessoa (+-8€) - 3h
Almoço no mercado: 525+160dh (cerca de 13.5€ por pessoa)