quarta-feira, 30 de maio de 2018

O meu médico é melhor que o teu

Meu e-mail:

Olá Dr.! Como está?
Há muito tempo que não o chateava...
Há uns dias estava a tomar banho no ginásio e tive um momento de clarividência. Porque é que hei-de esperar pelo fim do tamoxifeno para seguir para a cirurgia? Estou a perder tempo. Ou seja, se não vir nenhum inconveniente, quero "alistar-me" já para fazer isso. Tratamos disso na consulta de agosto? Ou pode ser antes?

Mudando de assunto, Marrocos foi das melhores experiências que tive até hoje. Subi os 4167m do Toubkal e sobrevivvi, mas foi a coisa mais difícil que fiz na vida... 

Beijinhos!
Spoiled

Resposta do médico:

Olá Luísa
4167 metros ?!

Beijinhos




O que interessa são os metros, o resto do e-mail não interessa nada ahahahha!

Marrocos [parte 6]

Queria só gabar-me do meu cabelo.
Obrigada.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Marrocos [parte 5]


Dia 4



Chegamos a Rabat e já estava a anoitecer. Voltamos ao Riad para arrumarmos as mochilas no quarto e pedirmos dicas para jantar fora. A menina parecia não nos saber aconselhar muito bem, mas ainda assim seguimos o seu conselho. Infelizmente, fomos enviados para um restaurante "para turista", coisa que tentamos evitar a viagem toda. Mal nos sentamos já nos estavam a impingir uma espécie de menú para turista. O que eles não sabem é que os portugueses também não se deixam levar e falamos de forma mais bruta para comermos o que queríamos e não o que eles queriam. Basicamente, os empregados andavam a dar show a servir a comida e o chá, vestidos com uma vestimenta marroco-carnavalesca... Enfim. Havia zero locais a comer lá.
Resumo: não gostamos e viemos embora o mais rápido possível.
(Só por curiosidade o sítio era este e pagamos cerca de 5€ por pessoa).




Feita a escala de banhos (caramba que uma i.s. para 5 dá muito trabalho), calhou-me ser a penúltima a tomar banho. Antes de ir já sabia que a água estava gelada. Só pensei "este Riad, mais caro que os outros, não está a valer mais do que os outros..."

Acordamos, os banhos estavam tomados da noite anterior, e descemos para o pequeno almoço, aquele que tinha sido oferecido. E que bela surpresa tivemos! Além das duas variedades de panquecas marroquinas e do habitual sumo de laranja ainda tivemos direito a fruta, morangos e banana. Muito mais agradados e de barriga cheia saímos para conhecer Rabat.


 A vida laboral em Marrocos começa tarde. Às 10h da manhã ainda a maior parte das lojas estão fechadas, talvez porque ficam abertas até mais tarde no dia anterior. Fomos caminhando pela Medina, entramos no mercado e deliciamo-nos com os produtos expostos nas bancas: frutas e legumes, azeitonas, bolos, carne e peixe! Ah peixe, que há tantos dias que não comíamos... Paramos numa banca de peixe a apreciar e a debitar os nomes dos peixes lá estendidos, não fossemos nós todos de terras de mar. O dono da banca aborda-nos. Um senhor nos seus 60 anos, com um francês fluente, grande e gordo. Disse-nos que podíamos comprar-lhe um peixe para o almoço, que nos arranjava maneira de alguém nos cozinhar. Adoramos a ideia e ficamos com aquilo na cabeça.




 Seguimos a caminho rumo à Kasbah des Oudayas, caminhando tranquilamente pelas ruas da Medina (em obras). Esta foi das Medinas que eu mais gostei. Muito mais limpa, ainda que com obras, muito tranquila e a desembocar num descampado, na costa, com areal por baixo e uma cemitério gigante (que eu não vi na altura, mas entretanto a minha irmã avisou e percebi onde estava nas fotos).
Foi em Rabat que comprei o meu primeiro par de brincos e abri, claramente, um precedente.






Era quase meio dia e voltávamos ao mercado, a pensar numa dourada grelhada. Dirigimo-nos ao senhor que amavelmente nos atendeu e fez com que comprássemos uma grande dourada de 3,5kg (eu nunca tinha visto uma assim!) que foi arranjada na hora pelo seu empregado, a quem demos uma pequena gorjeta 5dirham (0.5€), com indicação do patrão. Pagamos cerca de 520dirham pelo peixe, sensivelmente 50€. Seguimos com ele e com a dourada até a um dos restaurantes existentes no mercado e acordamos com o sr. do restaurante o que queríamos a acompanhar e o valor a pagar pelo serviço. Escusado será dizer que nos serviram imensamente bem e que valeu muito a pena gastar um pouco mais que o habitual.




 Depois da barrigada do almoço fomos visitar a Torre Hassan e o Mausoléu de Mohammed V. 
A torre pretendia ser um enorme minarete, pertencente à Mesquita Hassan. A sua construção nunca foi terminada (reparem no topo da torre). 




À hora que chegamos, deviam ser umas 16h, o Mausoléu estava a fechar. A ir, tentem ir da parte da manhã. 
A hora que se seguiu foi um verdadeiro turbilhão. 
Na verdade gostamos tanto de Rabat que nos deliciamos no passeio e quando nos demos conta estava a ficar tarde para ainda ir à estação dos comboios, escolher o horário do comboio, voltar a descer até à Medina, pegar nas mochilas que tinham ficado no Riad e subir de novo a avenida toda até à estação, ainda com tempo para comprar os bilhetes (as filas eram sempre enormes).
As duas que se despacharam mais cedo do xixi e da mochila seguiram para a estação para comprar os bilhetes, enquanto os outros 3 (eu incluída) acabavam de se preparar.
Por momentos não tive fé e achei que íamos mesmo perder o comboio que queríamos. O objetivo era chegar a tempo de jantar em Fez. Literalmente voamos até à estação, a subir com as mochilas pesadas, mas nem pensávamos nisso, só queríamos chegar a tempo.
Chegamos! Não por muito, mas chegamos. Suados como animais, mas não interessava...

Três horas depois chegávamos a Fez. 


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Comboio Rabat - Fez: 85dh por pessoa (+-8€) - 3h
Almoço no mercado: 525+160dh (cerca de 13.5€ por pessoa)

quinta-feira, 24 de maio de 2018

E os tomates? Perguntaram vocês...

Os tomates não estão espadaúdos e resplandecentes mas tem folhinhas novas a crescer... então vamos ter um pouco de fé e acreditar que vão prosperar. Começo a duvidar das minhas capacidades... não faço ideia se precisam de mais água ou se está bem assim...



E a corrida de Alverca?
Depois de um imprevisto e ter ficado sem par na véspera, puxei pela cabeça e arranjei um substituto, que prontamente se disponibilizou não só para correr os 10 km (coisa que não faz habitualmente, essa coisa de correr) como para levar ele o carro, estas às 8:15h de domingo na minha casa e ainda ir almoçar um grande costuletão comigo. Se não é meu amigo, não sei o que é.
Só por curiosidade conheci-o através do instagram. Para a maioria das pessoas isso soa a uma coisa estranha. 

Como é que eu hei-de correr rápido com uns presuntinhos destes? Ah?




Para uma pessoa que não corre, o meu amigo corre é muito, porque puxou por mim o caminho todo. E graças a ele os meus primeiros 6km foram feitos a uma velocidade acima da média, para mim, ao passo que nos últimos 4km me arrastei, literalmente, por aquelas pistas da OGMA... meu deus que calor imenso nos pés, valeu-nos o camião dos bombeiros a deitar água! Nunca gostei tanto de "andar à chuva".

Resumo: Bati novamente o meu record pessoal (tinha sido em dezembro passado), daí a minha cara de felicidade e o costuletão acompanhado de umas cervejas e sobremesa. Além disso, tirei 5 minutos ao tempo do ano passado na mesma prova...

Obrigada N. mais uma vez por me obrigares a ir fazer esta corrida!

Para o ano diz que vou ter companhia nesta prova... vamos ver não é Agridoce?

p.s. - ando a arranjar tempo para escrever sobre Marrocos.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Conversas paralelas e um restaurante novo

Ontem, fui correr 30 minutinhos ao ginásio (começamos a diminuir o tempo que Alverca está mesmo aí). Fiquei contente que não sofri. Meia hora a correr, a 9,5km/h, não é super rápido mas pra mim é bom, e cheguei ao fim sem cansaço nas pernas. Se eu treinasse o ano todo como estas duas últimas semanas era uma corredora a sério!
O problema é que pra treinar assim corrida não consigo fazer os meus 4 treinos de musculação semanais... óbvio! E a gente tem de fazer mais o que gosta, não é...

Deixei-me trabalhar até mais tarde [ainda não estou habituada ao horário de verão com sol até mais tarde], atrasei o treino, atrasei o banho porque me pus na conversa com o treinador enquanto alongava, ou seja, saí do ginásio sem secar o cabelo, qual flecha para o seu alvo. Entrei no carro na mate e fomos jantar a Miss Jappa no Príncipe Real.


Sentamo-nos, escolhemos a comida e ela diz: O que bebemos?

Alcoól - respondi eu.

Mate - Alcoól? Estava a pensar mais em chá.

Eu - vinho.

Mate - ok, então só um copo para cada.

Eu - Já sabes que quando pedimos só um copo para cada, acabamos por pedir o segundo e já sabemos que compensa pedir a garrafa...

Mate - E vamos beber uma garrafa toda?

Eu - ...


Pedimos a garrafa, "bem fresca senão não presta" - dizia ela ao empregado - "e uma manga não tem?" - E ele disse-nos que não e foi embora. Eu já ia comentar que não era muito simpático, mas ele voltou com um frapé e a dizer "com este calor isto é melhor que manga". 
Fomos comendo as peças ótimas [mas minis] que pedimos. A nossa conversa é sempre muito animada. Por isso é que a mate é a mate, porque embora seja muito diferente de mim compreende-me perfeitamente e a nossa conversa tem muito de sintonia.
Liga-me o comissário de bordo. Não atendo mas mando foto das duas (embora ele não a conheça pessoalmente ouve falar muito dela e vice-versa).
Mandou mensagem de voz:

"Não vou comentar... Senão ias dizer que eu sou um porco."

Sei bem o que ele pensou e contém o número 3.


Adiante.
Acabamos de comer. Era tudo muito bom, mas ainda tínhamos fome... mandamos vir mais um.
Nesta altura já o empregado nos despejava o que restava do vinho nos dois copos.
Comemos o último prato. Acabamos o vinho.

Empregado - Então, gostaram do último?

Mate - Sim, gostamos, mas era muito maçudo.

Nesta altura desmancho-me a rir. Mulheres do norte são assim, dizem o que pensam.

Empregado - Então e sobremesa? 

Nós - Sobremesa não queremos.

Empregado - Então e se eu trouxer outro prato? Um que nem está na carta...

Mate - Mas está a oferecer ou vamos pagar? - imaginem eu a rir muito.

Empregado - Se não está na carta e digo que vou trazer então é oferta para voltarem cá mais vezes.

Eu - Mas já não temos vinho, vamos comer a seco...

Empregado - Eu trago mais um copo e dividem.

Mate - Não, traga um copo para cada - pra quem queria chá... mas é como diz o comissário, as mulheres do norte sabem beber em quantidade.


Resumo: Uma garrafa mais dois copos, 4 pratos, um empregado simpático, um prato fora da carta, duas miúdas bem dispostas e uma conta de 63€. Não foi barato, mas foi muito bom. Japonês clássico mas moderno, nada de fusões que por acaso não gosto. O espaço é muito agradável e estava cheio!
Nem tirei fotos à comida. Mas vejam no zomato
Vale a pena experimentar para quem gosta do género.

Já tinham ouvido falar? Já lá estiveram? O que acharam?

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Não sei se ria, não sei se chore [cenas hilariantes da minha vida]

Antes de ir de férias, umas semanas antes, plantei tomates cherry, de umas sementes que sequei no verão passado. Tinham sido de uns tomates caseiros que me deram e que eram tão bons que resolvi guardar as sementes, na eventualidade de me estrear como agricultora de varanda.

Sabia que era por volta de fevereiro que se plantava, mas só me lembrei já no final de março. Consultei na internet e percebi que ainda ia a tempo. Siga! Plantei e nem me lembrei que a 20 de abril ia pra Marrocos e ia deixar os meus rebentos sozinhos tantos dias.
Vai daí, nomeei duas pessoas (além da minha empregada) para me virem cá a casa regar os ditos cujos. Tudo corria bem, à excepção da empregada me ter faltado à primeira rega e por isso ter tido de pedir aos reforços uma substituição.


Um dos reforços é um amigo meu que se auto-intitula de psicopata e doente mental. Eu diria mesmo que ele é só ninfomaníaco.
E de onde é que eu conheço tal ser? 
Ora bem, corria o ano de 2010, meu primeiro ano de Lisboa, onde vivi numa casa com mais 6 miúdas. As princesinhas do Salitre, como gostávamos que nos chamassem. Duas delas eram italianas (estas) e portanto vivi esse ano como se fizesse erasmus em Lisboa, com elas. Numa noite de junho, está agora quase a fazer 8 anos, numa saída, conhecemos um comissário de bordo. Na altura rolaram uns beijinhos, mas com tanta volta e viagem desta vida nunca houve mais nada. 
Ao longo destes 8 anos fomos trocando mensagens esporádicas. Fomos sabendo mais ou menos da vida um do outro e chegamos a ir tomar uns cafés... Na verdade já não o via pra'i há 2 anos quando resolvemos marcar novamente um encontro. Fomos lanchar só isso!
Resumo desta conversa toda: farto-me de rir com a maluqueira dele, tem-me feito companhia quando não tenho que fazer e eu a ele quando voa para o estrangeiro e não tem com quem falar. 


  Quando lhe pedi para regar o tomateiro pensei que ele seria capaz de o fazer sem provocar o caos. Só que não.
Estava eu em Marrocos e recebo mensagem da minha empregada. Dizia assim:

"Olá L. das Horas fiz a sua cama de lavado, estava lá um papel escrito, voltei a lá pôr. bj"

Imaginando o pior cenário possível respondi:

"Olá! Fez bem! Não faço ideia o que era, mas imagino que tenha sido o meu amigo que me vai regar os tomates que o tenha deixado... e de certeza que é uma parvoíce qualquer que ele não tem muito juizo. Eu só volto no próximo domingo. Obrigada! Beijinhos"


Só para concluir este assunto, óbvio que o bilhete continha teor pornoerótico...

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Ando a correr...

E enquanto ponho o trabalho em dia (não sei se foi por ir de férias ou se é por estar a chegar o verão mas o trabalho é tanto!), faço posts sobre Marrocos (que demoram horas...) e acabei um livro e comecei outro, ainda tenho tempo para andar correr, literalmente, atrás do prejuízo.
Atentem:


5 séries de 5 minutos a 10,5km/h 

É verdade, fui de fds para o norte e corri debaixo de chuva. Quem és tu, miúda???

 5 séries de 5 minutos a 10,5km/h 


Limito-me a cumprir o que o meu treinador me prescreveu para 2 semanas de treino antes da 4ª Corrida Cidade de Alverca.

[no site da corrida está lá o tempo a contar para o início... confesso que acabei de cair em mim... menos 3 dias e umas horas? omg, ainda tenho de encaixar um treino de 40 minutos e um de 15/20minutos com alongamentos para a véspera... MEDO]


E porque a minha vida não é só Marrocos...

Na última quinta feira tomava banho no ginásio, depois do meu treino de séries de corrida (graças ao N. ando a correr em contra-relógio para, pelo menos, não morrer na Corrida Cidade de Alverca).
Não estava a pensar em rigorosamente nada. Estava simplesmente a lavar o meu cabelo quando de repente...

Fez-se luz nos meus pensamentos e tive um momento de clarividência!

"Se já decidi que vou fazer dupla mastectomia (pasme-se quem ainda não sabia) porque raio não hei-de a fazer já em vez de daqui a 2 anos no final do tratamento hormonal?"


Vim para casa a pensar naquilo. Porque raio meti eu na cabeça que haveria de ser só depois de acabar a medicação diária que faço? Isso seria prolongar ainda mais as coisas. Se fizer durante os dois anos que ainda me faltam poupo tempo. Quando acabar a medicação já a operação e a recuperação passaram. Além disso, agora que estou sozinha é a altura ideal para "tratar" das minhas coisas e não ter de sobrecarregar alguém de futuro. Digo eu.
 Liguei à minha mate. Contei-lhe da luz.
Respondeu-me:

"Mas como é que não nos lembramos disso antes?"


"Sei lá - disse eu - acho que quando decidi ainda não tinha assim tanta certeza, então atirei o mais p'rá frente possível."


Lá vou eu bombardear o meu médico mais querido com e-mails.
Pelo sim pelo não mando-lhe fotos de Marrocos.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Marrocos [parte 4]

Dia 3

Eram 8h da manhã e deixávamos Chefchaouen. 
Pela frente estava uma viagem de 4:30h até Rabat, onde dormiríamos as próximas duas noites. No plano inicial um dos dias em Rabat estava em aberto, com possibilidade de irmos num saltinho a Casablanca, de comboio. Assim fizemos.

Era hora de almoço e chegamos a Rabat. Sabíamos que da gare dos autocarros até ao nosso Riad era necessário apanhar táxis e o que tínhamos lido na internet, é que dentro da cidade é sempre melhor andar com taxímetro, pois fica mais barato do que o preço que os taxistas querem acordar à partida. Depois de alguma discussão lá os convencemos a usar o taxímetro (ao que eles chamam qualquer coisa como "miter" - será que vem de metro em inglês? - é uma palavra importante a reter).

Mais uma vez, e como foi nosso hábito nesta viagem, voltamos a ficar alojados dentro da Medina. Em Rabat, talvez por ser uma cidade menos turística, havia menos escolha nos Riads, logo, o preço também era mais elevado. Como um de nós tinha um vale de 100dólares no airbnr, optámos por descontar no valor deste alojamento. 

Como as Medinas não têm, por norma, trânsito automóvel, fomos de novo deixados numa Porta, a Bab El Had. Andamos quase meia hora às voltas a tentar encontrar a rua onde ficaríamos. O sol batia de chapa e as mochilas ainda pareciam mais pesadas. Rabat está, neste momento, completamente em obras, o que nos dificultou a busca. Depois de perguntarmos a 3 ou 4 pessoas lá demos com a rua principal da Medina onde encontraríamos à direita a travessa onde se encontrava o Riad Dar Saidi. Quando chegamos à porta nem queríamos acreditar! Parecia uma imagem tirada de um filme de guerra, com a rua sem pavimentação e cheia de lixo. Acho que todos pensamos o mesmo "só espero que lá dentro não tenha nada a ver com isto...". E não tinha. Felizmente!
Ao contrário do combinado, não tínhamos dois quartos à nossa espera, mas um com apenas uma casa de banho. Ora, quando há homens e mulher juntos a logística dos banhos e trocas de roupa complica-se... e uma casa de banho para todos não era o ideal. Tentámos que nos arranjassem outra solução, pois o erro tinha sido deles, mas em vão, todos os quartos estavam ocupados. Para se desculparem ofereceram-nos o pequeno almoço, que excepcionalmente nesta estadia não tínhamos incluído. Ainda era cedo para o check in então limitamo-nos a trocar de roupa na recepção e deixar lá as mochilas e ir a Casablanca almoçar.

Em 1:15 estávamos a sair na estação de Casablanca e a perceber que não era só Rabat que estava de pernas para o ar com tantas obras. Aproveitamos a viagem de comboio para escolher um restaurante de peixe onde almoçar, em Marrocos tem que se aproveitar as cidades costeiras para comer peixe. E tanta falta nos fez!
Andamos meio à deriva no porto de mar, para a frente e para trás, à procura do Restaurante Port de Peche e confesso que já estava irritada porque não conseguíamos o encontrar. Finalmente encontramo-lo! Rapidamente a felicidade do encontro passou a desolamento por termos chegado 15 minutos depois de a cozinha fechar. Acabamos por comer na tasca do lado umas mini sardinhas (que para quem aprecia estavam boas) e uma omelete de entrada. Desta vez, nem talheres, nem guardanapos... foi o verdadeiro almoço à marroquino. Era ver-nos no final a esfregar as mãos com as rodelas de limão que sobraram...







Posto o almoço passamos no Rick's Café (que estava fechado) e para incultos como eu é o café onde foi rodado o filme Casablanca. O café é muito famoso, mas aquela envolvência urbana não abona nada a seu favor: o porto, os bairros tipo favela, as obras... Tiramos a foto da praxe e fugimos de um autocarro de chineses que acabara de abrir portas. Literalmente fugimos!
Seguimos caminho para a Mesquita Hassan II, o templo mais alto do mundo e o segundo maior (a seguir à Mesquita de Meca). É das poucas Mesquitas mundiais que permite a entrada de não-muçulmanos. Mas, como o dia não nos estava a correr de feição, à hora que lá chegamos já não podíamos entrar pois ia haver reza. 
Fica a dica: visitar a Mesquita Hassan II da parte da manhã.
Aqui sim, o espaço era muito bonito, com o oceano a perder de vista e os milhares de lindos azulejos e padrões por todos o lado. Foi difícil tirar fotografias sem andaimes ou objetos das obras, mas acho que pelo menos duas fotos se salvam. Não nos demoramos muito tempo por lá, porque o vento estava insuportável.









Rumamos à medina e sinceramente o caminho até lá foi o mais emocionante que vi em Casablanca. Misturamo-nos com os locais (e éramos mesmo os únicos turistas) no meio de um mercado de rua, com muitos animais, hortaliças, peixe, muito lixo, muito barulho, mas absolutamente genuíno. E não senti que nos olhassem de lado. Aliás, foi a primeira vez que ouvi, diretamente para nós: 
Bienvenue, Welcome e Bienvenidos!





Ainda que as ruas fossem estreitas e escuras (atentem que o bom tempo não quis nada connosco) e as pessoas com aspeto esquisito, fizeram com que nos sentíssemos em segurança e bem vindos numa terra estranha.

Depois de atravessarmos a medina, termos comprado fruta para os próximos dias e palmières deliciosos a 10cêntimos, chegamos ao trânsito caótico de Casablanca. Passar a estrada numa passadeira com semáforos pareceu-me a coisa mais difícil do mundo. As regras simplesmente não existem e acho que isso tira beleza a qualquer cidade. Decidimos então voltar a Rabat, pois tínhamos feito check em tudo o que queríamos ver.

Resumindo: Casablanca não me fascinou. Não a achei bonita. Talvez quando as obras acabem as coisas se tornem um pouco melhores. 
Depois de Chefchaouen fica difícil gostar de qualquer coisa...


Alguém conhece Casablanca? Têm a mesma opinião que eu, ou tive azar?
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Alojamento: Riad Dar Saidi - 40€ por pessoa
Comboio Rabat - Casablanca (ida e volta): 4€ por pessoa - 1:15h