terça-feira, 12 de junho de 2018

2 anos e meio depois de viver nesta casa...

Desde que voltei a viver sozinha que esta casa ficou outra vez vazia. Eu sendo arquiteta devia ter uma especial aptidão para decorar a casa, e até acho que tenho, mas, em casa de ferreiro, espeto de pau...
Como isto ficou tipo faroeste, com novelos de cotão a voar pelo corredores, prometi a mim mesma que ia gastar uns trocos para decorar, pelo menos a sala.

Primeiro comprei um candeeiro de pé, que sempre quis... procurei novos e procurei no olx. E  encontrei um que gostei muito no olx, a um bom preço. Comprei. A base é em pedra... e eu, mulher moderna que sou, carreguei-a sozinha, debaixo de chuva, do carro à sala... achei que me ia cair em cima de um pé e se ia partir toda, mas num ato de fé, e com todas as minhas forças consegui trazê-la para cima. O candeeiro ficou mesmo como eu imaginava, mas agora faltava o resto.

Tinha duas orquídeas no chão da sala, encostadas à janela para apanharem luz. Depois de muito pesquisar decidi que ia comprar uma mesinha do ikea, amarela, para colocar os vasos. A minha sala já tem apontamentos de amarelo, portanto decidi continuar a "cena".

Da última vez que fui ao ikea comprei, finalmente, um candeeiro para o teto do meu quarto. Na verdade estou há mais de 5 meses sem luz no teto... não sei como consigo, mas já me habituei a chegar à noite e acender a luz da casa de banho para me arranjar para ir pra cama. Ridículo, eu sei. 
O pior é que comprei o abajour e não percebi que aquela porra não trazia o fio nem o casquilho... resultado: tenho de lá voltar para comprar o que falta. Mais um mês, portanto.

Além do candeeiro comprei as prateleiras que queria para colocar por cima das orquídeas.
Na semana passada veio cá o meu homem dos 7 ofícios, aka Peter Pan, colocar as prateleiras em troca de um risoto. As prateleiras ficaram um espanto. Bebemos duas garrafas de muralhas, mas o homem foi para casa na paz do senhor. Nada de alarmismos, ok?? Uma mulher sozinha tem que ter o amigo da bricolage, o eletricista, o companheiro, o entertainer, o dos copos... a vida é mesmo assim. 

Ainda não imprimi os quadros que quero por nas prateleiras, logo, roubei um pouco ao resto da sala para compor o canto. E adorei o resultado. Agora falta-me trazer a máquina de escrever antiga que tenho no norte, para por na estante dos livros. Acho que vai ficar mesmo bem.



Gostam? 
Também são como eu e deixaram a casa em branco mais de 2 anos? 
Ou decoraram logo tudo de uma vez?

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Uma semana (e pouco) na minha vida corrida

Sábado 26
Brunch com a Ana no Zénith Lisboa
Jantar com amigas
Ir para casa e voltar a sair para ir ter com outros amigos
Beber mais um copo no cais
Estar na fila do Lux, meia hora, e desistir porque já eram 5h da manhã...



Domingo 27
Brunch na padaria portuguesa
Esplanada na Avenida da Liberdade para uma cerveja
Um gelado em Santos na Davvero
Vir a casa trocar de roupa e jantar sushi
Ir a uma festa no mercado da ribeira
Chegar ao Lux às 00:15h e já não me deixarem entrar porque fechava à 1h...

Segunda 28
Manhã em Cascais a trabalho
Almoço no Ikea e aproveitar para comprar umas coisas que precisava
Tarde normal de trabalho.

Terça 29
Trabalho
Ginásio
Comer marmita no bar
Ir à feira do livro e dormir na casa da sócia, porque de manhã tínhamos reunião lá perto.



Quarta 30
8:30 na Penha de França para ver um projeto novo
Trabalhar até às 20h
Ir ao Alegro fazer comandos da garagem
Ir ao Colombo porque no Alegro não deu. Jantar lá
Trabalhar, fazer a mala e deitar às 3h 



Quinta 31
Apanhar o comboio das 9:30, chegar ao Porto para o almoço
Preparar a reunião da tarde (feriado), que só acabou às 19h
Jantar com a minha amiga Inês



Sexta 1
Acordar e ir comer umas panquecas. Aqui. Aprovado!
Apanhar o autocarro das 12:30 
Chegar a Lisboa e ir a casa buscar a mochila do ginásio
Treinar. Tomar banho e correr para um jantar.
Sair para beber uns copos.




Sábado 2
Dormir de manhã
Ir ao supermercado depois de almoço
Fazer vida de dona de casa onde se incluiu arrumar, lavar roupa, estender...

Domingo 3
Acordar e fazer a depilação. 
Ir correr 5km a Belém.
Trabalhar toda a tarde.




As minha semana devia ter mais dias, ou o meus dias mais horas.
Desconfio é que arranjava mais coisas para encaixar nesses tempos e era tudo igual.
Não sei se é por estarmos a chegar ao verão, mas de repente há convites para tudo e mais alguma coisa... E os santos estão a chegar!!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

O meu médico é melhor que o teu

Meu e-mail:

Olá Dr.! Como está?
Há muito tempo que não o chateava...
Há uns dias estava a tomar banho no ginásio e tive um momento de clarividência. Porque é que hei-de esperar pelo fim do tamoxifeno para seguir para a cirurgia? Estou a perder tempo. Ou seja, se não vir nenhum inconveniente, quero "alistar-me" já para fazer isso. Tratamos disso na consulta de agosto? Ou pode ser antes?

Mudando de assunto, Marrocos foi das melhores experiências que tive até hoje. Subi os 4167m do Toubkal e sobrevivvi, mas foi a coisa mais difícil que fiz na vida... 

Beijinhos!
Spoiled

Resposta do médico:

Olá Luísa
4167 metros ?!

Beijinhos




O que interessa são os metros, o resto do e-mail não interessa nada ahahahha!

Marrocos [parte 6]

Queria só gabar-me do meu cabelo.
Obrigada.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Marrocos [parte 5]


Dia 4



Chegamos a Rabat e já estava a anoitecer. Voltamos ao Riad para arrumarmos as mochilas no quarto e pedirmos dicas para jantar fora. A menina parecia não nos saber aconselhar muito bem, mas ainda assim seguimos o seu conselho. Infelizmente, fomos enviados para um restaurante "para turista", coisa que tentamos evitar a viagem toda. Mal nos sentamos já nos estavam a impingir uma espécie de menú para turista. O que eles não sabem é que os portugueses também não se deixam levar e falamos de forma mais bruta para comermos o que queríamos e não o que eles queriam. Basicamente, os empregados andavam a dar show a servir a comida e o chá, vestidos com uma vestimenta marroco-carnavalesca... Enfim. Havia zero locais a comer lá.
Resumo: não gostamos e viemos embora o mais rápido possível.
(Só por curiosidade o sítio era este e pagamos cerca de 5€ por pessoa).




Feita a escala de banhos (caramba que uma i.s. para 5 dá muito trabalho), calhou-me ser a penúltima a tomar banho. Antes de ir já sabia que a água estava gelada. Só pensei "este Riad, mais caro que os outros, não está a valer mais do que os outros..."

Acordamos, os banhos estavam tomados da noite anterior, e descemos para o pequeno almoço, aquele que tinha sido oferecido. E que bela surpresa tivemos! Além das duas variedades de panquecas marroquinas e do habitual sumo de laranja ainda tivemos direito a fruta, morangos e banana. Muito mais agradados e de barriga cheia saímos para conhecer Rabat.


 A vida laboral em Marrocos começa tarde. Às 10h da manhã ainda a maior parte das lojas estão fechadas, talvez porque ficam abertas até mais tarde no dia anterior. Fomos caminhando pela Medina, entramos no mercado e deliciamo-nos com os produtos expostos nas bancas: frutas e legumes, azeitonas, bolos, carne e peixe! Ah peixe, que há tantos dias que não comíamos... Paramos numa banca de peixe a apreciar e a debitar os nomes dos peixes lá estendidos, não fossemos nós todos de terras de mar. O dono da banca aborda-nos. Um senhor nos seus 60 anos, com um francês fluente, grande e gordo. Disse-nos que podíamos comprar-lhe um peixe para o almoço, que nos arranjava maneira de alguém nos cozinhar. Adoramos a ideia e ficamos com aquilo na cabeça.




 Seguimos a caminho rumo à Kasbah des Oudayas, caminhando tranquilamente pelas ruas da Medina (em obras). Esta foi das Medinas que eu mais gostei. Muito mais limpa, ainda que com obras, muito tranquila e a desembocar num descampado, na costa, com areal por baixo e uma cemitério gigante (que eu não vi na altura, mas entretanto a minha irmã avisou e percebi onde estava nas fotos).
Foi em Rabat que comprei o meu primeiro par de brincos e abri, claramente, um precedente.






Era quase meio dia e voltávamos ao mercado, a pensar numa dourada grelhada. Dirigimo-nos ao senhor que amavelmente nos atendeu e fez com que comprássemos uma grande dourada de 3,5kg (eu nunca tinha visto uma assim!) que foi arranjada na hora pelo seu empregado, a quem demos uma pequena gorjeta 5dirham (0.5€), com indicação do patrão. Pagamos cerca de 520dirham pelo peixe, sensivelmente 50€. Seguimos com ele e com a dourada até a um dos restaurantes existentes no mercado e acordamos com o sr. do restaurante o que queríamos a acompanhar e o valor a pagar pelo serviço. Escusado será dizer que nos serviram imensamente bem e que valeu muito a pena gastar um pouco mais que o habitual.




 Depois da barrigada do almoço fomos visitar a Torre Hassan e o Mausoléu de Mohammed V. 
A torre pretendia ser um enorme minarete, pertencente à Mesquita Hassan. A sua construção nunca foi terminada (reparem no topo da torre). 




À hora que chegamos, deviam ser umas 16h, o Mausoléu estava a fechar. A ir, tentem ir da parte da manhã. 
A hora que se seguiu foi um verdadeiro turbilhão. 
Na verdade gostamos tanto de Rabat que nos deliciamos no passeio e quando nos demos conta estava a ficar tarde para ainda ir à estação dos comboios, escolher o horário do comboio, voltar a descer até à Medina, pegar nas mochilas que tinham ficado no Riad e subir de novo a avenida toda até à estação, ainda com tempo para comprar os bilhetes (as filas eram sempre enormes).
As duas que se despacharam mais cedo do xixi e da mochila seguiram para a estação para comprar os bilhetes, enquanto os outros 3 (eu incluída) acabavam de se preparar.
Por momentos não tive fé e achei que íamos mesmo perder o comboio que queríamos. O objetivo era chegar a tempo de jantar em Fès. Literalmente voamos até à estação, a subir com as mochilas pesadas, mas nem pensávamos nisso, só queríamos chegar a tempo.
Chegamos! Não por muito, mas chegamos. Suados como animais, mas não interessava...

Três horas depois chegávamos a Fès. 


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Comboio Rabat - Fès: 85dh por pessoa (+-8€) - 3h
Almoço no mercado: 525+160dh (cerca de 13.5€ por pessoa)

quinta-feira, 24 de maio de 2018

E os tomates? Perguntaram vocês...

Os tomates não estão espadaúdos e resplandecentes mas tem folhinhas novas a crescer... então vamos ter um pouco de fé e acreditar que vão prosperar. Começo a duvidar das minhas capacidades... não faço ideia se precisam de mais água ou se está bem assim...



E a corrida de Alverca?
Depois de um imprevisto e ter ficado sem par na véspera, puxei pela cabeça e arranjei um substituto, que prontamente se disponibilizou não só para correr os 10 km (coisa que não faz habitualmente, essa coisa de correr) como para levar ele o carro, estas às 8:15h de domingo na minha casa e ainda ir almoçar um grande costuletão comigo. Se não é meu amigo, não sei o que é.
Só por curiosidade conheci-o através do instagram. Para a maioria das pessoas isso soa a uma coisa estranha. 

Como é que eu hei-de correr rápido com uns presuntinhos destes? Ah?




Para uma pessoa que não corre, o meu amigo corre é muito, porque puxou por mim o caminho todo. E graças a ele os meus primeiros 6km foram feitos a uma velocidade acima da média, para mim, ao passo que nos últimos 4km me arrastei, literalmente, por aquelas pistas da OGMA... meu deus que calor imenso nos pés, valeu-nos o camião dos bombeiros a deitar água! Nunca gostei tanto de "andar à chuva".

Resumo: Bati novamente o meu record pessoal (tinha sido em dezembro passado), daí a minha cara de felicidade e o costuletão acompanhado de umas cervejas e sobremesa. Além disso, tirei 5 minutos ao tempo do ano passado na mesma prova...

Obrigada N. mais uma vez por me obrigares a ir fazer esta corrida!

Para o ano diz que vou ter companhia nesta prova... vamos ver não é Agridoce?

p.s. - ando a arranjar tempo para escrever sobre Marrocos.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Conversas paralelas e um restaurante novo

Ontem, fui correr 30 minutinhos ao ginásio (começamos a diminuir o tempo que Alverca está mesmo aí). Fiquei contente que não sofri. Meia hora a correr, a 9,5km/h, não é super rápido mas pra mim é bom, e cheguei ao fim sem cansaço nas pernas. Se eu treinasse o ano todo como estas duas últimas semanas era uma corredora a sério!
O problema é que pra treinar assim corrida não consigo fazer os meus 4 treinos de musculação semanais... óbvio! E a gente tem de fazer mais o que gosta, não é...

Deixei-me trabalhar até mais tarde [ainda não estou habituada ao horário de verão com sol até mais tarde], atrasei o treino, atrasei o banho porque me pus na conversa com o treinador enquanto alongava, ou seja, saí do ginásio sem secar o cabelo, qual flecha para o seu alvo. Entrei no carro na mate e fomos jantar a Miss Jappa no Príncipe Real.


Sentamo-nos, escolhemos a comida e ela diz: O que bebemos?

Alcoól - respondi eu.

Mate - Alcoól? Estava a pensar mais em chá.

Eu - vinho.

Mate - ok, então só um copo para cada.

Eu - Já sabes que quando pedimos só um copo para cada, acabamos por pedir o segundo e já sabemos que compensa pedir a garrafa...

Mate - E vamos beber uma garrafa toda?

Eu - ...


Pedimos a garrafa, "bem fresca senão não presta" - dizia ela ao empregado - "e uma manga não tem?" - E ele disse-nos que não e foi embora. Eu já ia comentar que não era muito simpático, mas ele voltou com um frapé e a dizer "com este calor isto é melhor que manga". 
Fomos comendo as peças ótimas [mas minis] que pedimos. A nossa conversa é sempre muito animada. Por isso é que a mate é a mate, porque embora seja muito diferente de mim compreende-me perfeitamente e a nossa conversa tem muito de sintonia.
Liga-me o comissário de bordo. Não atendo mas mando foto das duas (embora ele não a conheça pessoalmente ouve falar muito dela e vice-versa).
Mandou mensagem de voz:

"Não vou comentar... Senão ias dizer que eu sou um porco."

Sei bem o que ele pensou e contém o número 3.


Adiante.
Acabamos de comer. Era tudo muito bom, mas ainda tínhamos fome... mandamos vir mais um.
Nesta altura já o empregado nos despejava o que restava do vinho nos dois copos.
Comemos o último prato. Acabamos o vinho.

Empregado - Então, gostaram do último?

Mate - Sim, gostamos, mas era muito maçudo.

Nesta altura desmancho-me a rir. Mulheres do norte são assim, dizem o que pensam.

Empregado - Então e sobremesa? 

Nós - Sobremesa não queremos.

Empregado - Então e se eu trouxer outro prato? Um que nem está na carta...

Mate - Mas está a oferecer ou vamos pagar? - imaginem eu a rir muito.

Empregado - Se não está na carta e digo que vou trazer então é oferta para voltarem cá mais vezes.

Eu - Mas já não temos vinho, vamos comer a seco...

Empregado - Eu trago mais um copo e dividem.

Mate - Não, traga um copo para cada - pra quem queria chá... mas é como diz o comissário, as mulheres do norte sabem beber em quantidade.


Resumo: Uma garrafa mais dois copos, 4 pratos, um empregado simpático, um prato fora da carta, duas miúdas bem dispostas e uma conta de 63€. Não foi barato, mas foi muito bom. Japonês clássico mas moderno, nada de fusões que por acaso não gosto. O espaço é muito agradável e estava cheio!
Nem tirei fotos à comida. Mas vejam no zomato
Vale a pena experimentar para quem gosta do género.

Já tinham ouvido falar? Já lá estiveram? O que acharam?