Em pleno dia das mentiras, acabei a radio e iniciei o ginásio.
Verdades das boas.
Tinha deixado o ginásio há 2 meses, quando o cansaço tomou conta de mim. Não um cansaço qualquer, entenda-se. Um cansaço de não conseguir subir mais de um lanço de escadas sem ter que descansar a seguir. Descansar com significado de parar e esperar que as forças nas pernas voltassem.
Passei a apanhar o metro para andar apenas uma estação, pois os 650m de distância que tinha de percorrer tornaram-se impossíveis de fazer a pé.
Felizmente, o cansaço durou pouco mais de um mês.
Hoje voltei ao ginásio.
Até ia nervosa no autocarro.
Ia a pensar se as pessoas ainda se lembrariam de mim, ou se iam ficar todas a olhar de novo, como se eu fosse nova. Parvoíce.
Quando fui deixar o saco ao bengaleiro diz-me a D. Conceição (funcionária):
"Oh menina! Já não a via há tanto tanto tempo! Já acabaram os tratamentos? Como é que está a correr tudo?"
Incrível isto acontecer, em Lisboa, num ginásio com tanta gente. Esta é só mais uma razão para eu lá andar. Esta coisa de ambiente familiar.
Descansei a senhora e disse-lhe que tinha voltado de vez.
Fui fazer aula de localizada.
A professora fez um grande sorriso quando me viu. Diz que já tinha perguntado por mim ao meu treinador. "Mas vens fazer a aula? Não é muito puxado? Tu vê lá... quando estiveres cansada pára."
Deixou-me cheia de medo.
Mas vá, não estou assim tão mal. Halteres de 1kg é para rir, mesmo depois da quimio e radio. Não custou nadinha. Movimentos bruscos com os tornozelos é que ainda não dá, que continuam inchados.
Já no balneário, encontrei a prof- do bike.
"Não deves ser boa pessoa L. das horas, estava há pouco sentada na bike, a pensar em ti, a pensar que ia ter de ir ao facebook mandar-te uma mensagem, porque não tenho o teu contacto e queria saber de ti..."
Ficamos na conversa até ambas estarmos prontas e virmos embora.
E como eu já não sou eu de cabelo comprido, resolvi atualizar o cartão.
Não fiquei uma maravilha, mas também não há milagres.
Estou mesmo feliz hoje.