Antes de mais, o almoço de família correu muito bem.
Na noite anterior já andava o mr.sogro a por a mesa e a contabilizar em voz alta: "Doze, somos doze com com a L."
Cheguei lá, de orquídea cor de rosa em punho, cheia, de flores, tropecei num dos cães que se atravessou nos meus pés, subi as escadas e lá estava eu no hall de entrada. Veio o mr.sogro simpático, que eu já conhecia de anteriores passagens, não como namorada do filho, mas como amiga. Sorrisinhos, dois beijinhos e foi chamar a mulher.
Lá veio a senhora, toda suada de estar a cozinhar, dei-lhe a flor, não lhe dei logo dois beijinhos. Depois queria dar os beijinhos, mas a flor estava a "empecilhar", Ficamos ali no jogo o "vai não vai" e lá me cheguei para os beijos. Ela envergonhada pelo suor, demos um beijos quase de raspão, enquanto ela falava do suor e eu dizia que não tinha mal. Mostrou-e que já tinha um sítio com mais orquídeas, mas que agora estavam feias e que esta iria para lá também.
Passado este embaraço, olhou para mim de cima a baixo e disse numa voz estridente, característica:
"Tu és mesmo assim tão alta ou é dos tacões? - olhou para eles e voltou à carga - "és mesmo alta e eu que sou tão pequenina".
mr.Bono não é o melhor com as apresentações.
Olhei para a cozinha e vi lá as tias avós. Hora de me desenrasca sozinha. Fui lá, dois beijinhos a cada uma, com o meu nome e siga, trabalho feito.
Durante o almoço, mr.sogro veio encher-me o copo, um monte de vezes. E falar-me dos pães fantásticos que tinha feito no forno de lenha, com chouriço e toucinho! Enchi a barriguinha antes do cabrito. Veio o cabrito... felizmente não tinha ninguém à minha frente a controlar. Comi um bocadinho, pequenino ihihihh.
Nesta altura, já me tinha apercebido que os cães ficaram fora de casa, por minha causa, penso eu. Tadinhos que ficaram sentados à porta durante o almoço todo, à espera de mimo.
Depois as sobremesas.
O pudim estava divinal, deu-me vontade de dizer à mrs.sogra que estava muito melhor que das outras vezes que mr.Bono mo trouxe dum outro qualquer fim se semana, mas contive-me. Fui obrigada a provar o pão de ló caseiro, que também estava muito bom. E eu já não podia comer mais nada.
Duas horinhas no sofá a ver o Umplugged in New York dos Nirvana e um concerto do Jack Jonson e já eram horas de eu voltar para Lisboa. Arre. Telefonaram a todos outra vez para lanchar e cortar o bolo. Lá voltaram todos, as tias avós, os tios, a prima e o namorado, que anunciaram um bebé a caminho. Vieram-me as lágrimas aos olhos, ultimamente ando muito, muito sensível, raios!
Fui novamente obrigada a comer um gelado bomba calórica, com natas, leite condensado, mars, chocolate... damn, era ótimo mas eu ainda tinha a digestão por fazer. Cantamos os parabéns, levei a primeira fatia num guardanapo, despedi-me de toda a gente com beijinhos apenas para a dona da casa, que me deu um copo para a mão, para brindarmos à minha saúde. Deu-me a mão e desejou-me força para a sessão de quimioterapia de 2ª feira (ontem)...
O feedback foi bom. a mami disse que sou simpática e sempre bem disposta,o meu sorrisinho sempre foi a minha maior virtude.