Há bastante tempo que me distanciei das coisas que me lembravam constantemente do cancro.
Parece frio da minha parte, mas foi a forma que arranjei de me proteger.
Pensar muitas vezes nisso fazia-me mal. Por isso, talvez há já 2 anos que retirei as notificações do grupos a que pertencia no facebook e tirei também as notificações de uma rapariga, com quem falei diversas vezes, mas que o seu cancro tinha voltado e muito resumidamente seria muito difícil de vencer. Lembro-me de uma das últimas vezes que falei com ela, ela me ter dito que estava a fazer um tratamento experimental.
Tinha uma especial admiração por ela, porque soube encarar a doença e muito mais difícil soube viver com ela, durante anos sem nunca perder o sorriso tão dela e a boa disposição.
Hoje lembrei-me dela, como em tantas outras vezes me lembro.
Fui ver o seu perfil.
E apanhei um choque.
Ainda no início do ano lhe dei os parabéns e já fez 2 meses que a Dora nos deixou.
Chorei durante meia hora.
Estou a escrever isto e tenho lágrimas a cair.
Não a conheci pessoalmente, mas acompanhei a luta dela por algum tempo. Falei com ela e ela incentivou-me sempre a não pensar no assunto e seguir em frente. A viver a vida o mais e melhor que conseguisse sem deixar "coisas para amanhã".
Sinto-me verdadeiramente triste.
Onde quer que ela esteja espero que esteja em paz e deite um olhinho por nós.
E nestes momentos sinto-me também muito fútil por pensar em ter um corpo invejável para o verão, fruto das horas que passo no ginásio, em andar a fazer pole dance, em estar preocupada com as unhas dos pés que nunca mais recuperaram e estão feias e os pelos grossos que me nasceram no queixo porque tomo uma quantidade brutal de hormonas... Por estar preocupada com o que vou postar no instagram ou o que vou vestir amanhã porque tenho reunião de condomínio.
A minha vida preenche-se com futilidades, é verdade.
Mas talvez seja isso que me faz andar para a frente e não pensar nas coisas más da vida.
































