segunda-feira, 14 de maio de 2018

Marrocos [parte 4]

Dia 3

Eram 8h da manhã e deixávamos Chefchaouen. 
Pela frente estava uma viagem de 4:30h até Rabat, onde dormiríamos as próximas duas noites. No plano inicial um dos dias em Rabat estava em aberto, com possibilidade de irmos num saltinho a Casablanca, de comboio. Assim fizemos.

Era hora de almoço e chegamos a Rabat. Sabíamos que da gare dos autocarros até ao nosso Riad era necessário apanhar táxis e o que tínhamos lido na internet, é que dentro da cidade é sempre melhor andar com taxímetro, pois fica mais barato do que o preço que os taxistas querem acordar à partida. Depois de alguma discussão lá os convencemos a usar o taxímetro (ao que eles chamam qualquer coisa como "miter" - será que vem de metro em inglês? - é uma palavra importante a reter).

Mais uma vez, e como foi nosso hábito nesta viagem, voltamos a ficar alojados dentro da Medina. Em Rabat, talvez por ser uma cidade menos turística, havia menos escolha nos Riads, logo, o preço também era mais elevado. Como um de nós tinha um vale de 100dólares no airbnr, optámos por descontar no valor deste alojamento. 

Como as Medinas não têm, por norma, trânsito automóvel, fomos de novo deixados numa Porta, a Bab El Had. Andamos quase meia hora às voltas a tentar encontrar a rua onde ficaríamos. O sol batia de chapa e as mochilas ainda pareciam mais pesadas. Rabat está, neste momento, completamente em obras, o que nos dificultou a busca. Depois de perguntarmos a 3 ou 4 pessoas lá demos com a rua principal da Medina onde encontraríamos à direita a travessa onde se encontrava o Riad Dar Saidi. Quando chegamos à porta nem queríamos acreditar! Parecia uma imagem tirada de um filme de guerra, com a rua sem pavimentação e cheia de lixo. Acho que todos pensamos o mesmo "só espero que lá dentro não tenha nada a ver com isto...". E não tinha. Felizmente!
Ao contrário do combinado, não tínhamos dois quartos à nossa espera, mas um com apenas uma casa de banho. Ora, quando há homens e mulher juntos a logística dos banhos e trocas de roupa complica-se... e uma casa de banho para todos não era o ideal. Tentámos que nos arranjassem outra solução, pois o erro tinha sido deles, mas em vão, todos os quartos estavam ocupados. Para se desculparem ofereceram-nos o pequeno almoço, que excepcionalmente nesta estadia não tínhamos incluído. Ainda era cedo para o check in então limitamo-nos a trocar de roupa na recepção e deixar lá as mochilas e ir a Casablanca almoçar.

Em 1:15 estávamos a sair na estação de Casablanca e a perceber que não era só Rabat que estava de pernas para o ar com tantas obras. Aproveitamos a viagem de comboio para escolher um restaurante de peixe onde almoçar, em Marrocos tem que se aproveitar as cidades costeiras para comer peixe. E tanta falta nos fez!
Andamos meio à deriva no porto de mar, para a frente e para trás, à procura do Restaurante Port de Peche e confesso que já estava irritada porque não conseguíamos o encontrar. Finalmente encontramo-lo! Rapidamente a felicidade do encontro passou a desolamento por termos chegado 15 minutos depois de a cozinha fechar. Acabamos por comer na tasca do lado umas mini sardinhas (que para quem aprecia estavam boas) e uma omelete de entrada. Desta vez, nem talheres, nem guardanapos... foi o verdadeiro almoço à marroquino. Era ver-nos no final a esfregar as mãos com as rodelas de limão que sobraram...







Posto o almoço passamos no Rick's Café (que estava fechado) e para incultos como eu é o café onde foi rodado o filme Casablanca. O café é muito famoso, mas aquela envolvência urbana não abona nada a seu favor: o porto, os bairros tipo favela, as obras... Tiramos a foto da praxe e fugimos de um autocarro de chineses que acabara de abrir portas. Literalmente fugimos!
Seguimos caminho para a Mesquita Hassan II, o templo mais alto do mundo e o segundo maior (a seguir à Mesquita de Meca). É das poucas Mesquitas mundiais que permite a entrada de não-muçulmanos. Mas, como o dia não nos estava a correr de feição, à hora que lá chegamos já não podíamos entrar pois ia haver reza. 
Fica a dica: visitar a Mesquita Hassan II da parte da manhã.
Aqui sim, o espaço era muito bonito, com o oceano a perder de vista e os milhares de lindos azulejos e padrões por todos o lado. Foi difícil tirar fotografias sem andaimes ou objetos das obras, mas acho que pelo menos duas fotos se salvam. Não nos demoramos muito tempo por lá, porque o vento estava insuportável.









Rumamos à medina e sinceramente o caminho até lá foi o mais emocionante que vi em Casablanca. Misturamo-nos com os locais (e éramos mesmo os únicos turistas) no meio de um mercado de rua, com muitos animais, hortaliças, peixe, muito lixo, muito barulho, mas absolutamente genuíno. E não senti que nos olhassem de lado. Aliás, foi a primeira vez que ouvi, diretamente para nós: 
Bienvenue, Welcome e Bienvenidos!





Ainda que as ruas fossem estreitas e escuras (atentem que o bom tempo não quis nada connosco) e as pessoas com aspeto esquisito, fizeram com que nos sentíssemos em segurança e bem vindos numa terra estranha.

Depois de atravessarmos a medina, termos comprado fruta para os próximos dias e palmières deliciosos a 10cêntimos, chegamos ao trânsito caótico de Casablanca. Passar a estrada numa passadeira com semáforos pareceu-me a coisa mais difícil do mundo. As regras simplesmente não existem e acho que isso tira beleza a qualquer cidade. Decidimos então voltar a Rabat, pois tínhamos feito check em tudo o que queríamos ver.

Resumindo: Casablanca não me fascinou. Não a achei bonita. Talvez quando as obras acabem as coisas se tornem um pouco melhores. 
Depois de Chefchaouen fica difícil gostar de qualquer coisa...


Alguém conhece Casablanca? Têm a mesma opinião que eu, ou tive azar?
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Alojamento: Riad Dar Saidi - 40€ por pessoa
Comboio Rabat - Casablanca (ida e volta): 4€ por pessoa - 1:15h

5 comentários:

Ssol disse...

Casablanca foi só o pior sítio onde já estive. Ainda bem que optaram por não dormir lá....nem imaginas como ia ser lolol Rabat dá 10 a 0!

Sofia disse...

Beeemmmm
Tenho de arranjar um tempinho para acompanhar esta tua descrição.... Acho que vou tirar dicas para uma possível viagem! :P

Love Adventure Happiness disse...

Antes de começar os tratamentos ainda comecei a planear uma viagem a Marrocos, não se realizou mas quem sabe um dia uso todas as tuas dicas ;)

L das Horas disse...

Sofia, é mesmo pra isso que estou a tentar escrever tudo antes que me esqueça! E pra ficar registado também, para poder ler mais tarde :P

L das Horas disse...

Vera, espero que sim! Como já te disse aconselho vivamente!