quarta-feira, 9 de maio de 2018

Marrocos [parte 3]

Dia 2

O segundo dia em Chefchaouen foi passado fora da cidade. Tinhamos lido no Lonely Planet que a 1h de caminho (de carro) poderíamos visitar as Cascatas d'Akchour e a God's Bridge, uma ponte natural. Desde a povoação de Akchour caminharíamos para um lado cerca de 4h (ida e volta) para ver as cascatas ou 1,5h (ida e volta) para a Ponte. 
Lemos muitos comentários sobre estes locais, pelo que decidimos que primeiro iríamos às cascatas e depois, caso sobrasse tempo à ponte. Sabiamos que como era domingo havia possibilidade de haver sobrelotação de locals, o que se viria a comprovar...
Combinamos previamente com o nosso amigo um gran táxi para nos levar a Arkchour (sempre com o acordo prévio do valor da viagem) e bem cedo depois do pequeno almoço maravilhoso, servido no terraço, lá fomos. O tradicional: chá, panquecas marroquinas, sumo de laranja, pão, queijo fresco e doces.


O condutor convenceu-nos numa linguagem difícil de entender que ele viria de novo ao final da tarde para nos buscar. E ainda bem porque de outra forma seria muito difícil (e caro) o regresso. Mal chegamos, percebemos que o domingo é um dia péssimo para este tipo de atividades. Os marroquinos ao domingo juntam-se (novos e velhos, famílias e amigos) e basicamente fazem pic-nics na natureza. Levam batuques e outros instrumentos e vão a cantar enquanto sobem a montanha. Durante as duas horas de subida fomo-nos desviando das manadas que nos obstruíam o caminho e nos faziam ir literalmente "a pastar". Sempre que o caminho apertava ou tínhamos de passar o riacho (passámo-lo umas 7 vezes) a coisa complicava-se. Por vezes as pontes eram meros troncos de árvores, que só permitiam a passagem num sentido e entupiam o trânsito pedestre. Os tempos de espera foram muito chatos. Acredito que num dia de semana tudo seria mais tranquilo. As paisagens são lindas, amplas e verdejantes! Quem diria que Marrocos é tão verde! Eu tinha uma ideia completamente errada deste país.



Atentem bem neste vídeo. O meu desespero quando o rapaz que estava a ajudar a passar se vai embora antes de eu passar 😂😂😂


Depois de muito subir [e eu que achava que estava em forma] as minhas pernas já só se queriam atirar para o chão! Finalmente chegamos às cascatas! Que imagem linda! Não que seja gigante, mas a envolvência era toda muito bonita. Ficamos ainda algum tempo a contemplá-las.




 Quando chegamos de novo cá abaixo eram 16h. Não tinhamos almoçado e já não dava tempo para ir à God's Bridge. Decidimos comer num dos locais improvisados na beira da estrada e tivemos uma refeição maravilhosa, servida por um senhor que apenas falava árabe, mas que fez de tudo para nos agradar (desde os talheres, aos toalhetes de papel, aos guardanapos... sim que isso são coisas de turista...). Pagamos muito pouco por esta refeição. Rondou os 5€ por pessoa. Mais uma vez comemos tajine, o prato mais típico de Marrocos [que é basicamente um guisado de carne e legumes, feito nas tajines de barro, no carvão, com cozedura muito lenta]. Sempre acompanhado com pão, azeitonas e chá de menta.



 Passava um pouco das 18h e já achávamos que o taxista não viria, que o tínhamos entendido mal e iríamos ficar lá "para a semente". Quase já em desespero, eis que avistamos o senhor e começamos logo a esbracejar. 
Chegamos a Chefchaouen e era quase hora de jantar. Andamos o dia inteiro a pensar no couscous que encomendamos no restaurante do dia anterior. Disseram-nos que demorava 4h a ser elaborado... Azar dos azares, chegamos ao restaurante e apercebemo-nos que se tinham esquecido da nossa reserva. Pediram-nos tantas desculpas que acho que ainda fomos mais bem servidos que no dia anterior, numa mesa mais recatada e com o empregado sempre a vir ver se estava tudo bem e não precisávamos de mais nada.
Enquanto jantávamos caíram as primeiras chuvadas da viagem.


Tajines, guisados, humus de ervilhas, salada marroquina, sumos de laranja, azeitonas... A comida marroquina é boa, mas muito pouco variada. Ao fim de uns dias uma pessoa enjoa.

O dia seguinte ia começar cedo. 
Ao contrário da primeira noite aqui, não acordei com o chamamento para a reza, tal era o cansaço provocado pela subida às cascatas. 
Às 8h partia o autocarro com destino a Rabat, logo o pequeno almoço foi-nos servido às 7h, excepcionalmente a nosso pedido. Nunca subi tantas escadas e tão rápido, com o pequeno almoço aos saltos no estômago, uma mochila às costas e outra ao peito. Temi pela minha vida.
Felizmente o esforço compensou e chegamos a tempo de apanhar o autocarro.
Deixávamos para trás uma das cidades mais bonitas de Marrocos.

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Viagem de autocarro: empresa Supratours - 12€* por pessoa (Chefchaouen - Rabat - 4:30h)
* foi-nos cobrado no dia um suplemento pelas malas. Não me lembro quanto foi, mas também não foi nada de astronómico.

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